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A devoção cristã de Câmara de Lobos reflete-se não só nas suas inúmeras tradições, como também num vasto património edificado. As várias igrejas e capelas são testemunhos das vivências da população câmara-lobense ao longo de quase 600 anos de história.
Sendo um elo entre o passado e o presente, estes templos são pontos centrais das suas comunidades, recebendo devotos de várias partes da ilha aquando das suas festividades.
Depois do Funchal, Câmara de Lobos foi um dos primeiros locais a ser povoado. Eventualmente, com o crescimento da população, os terrenos incultos arroteados foram se estendendo e alargando até as altitudes da atual freguesia do Estreito. Atualmente é uma localidade com 8,14 km², subdividido nos seguintes sítios: Barreiros, Cabo do Podão, Casa Caída, Covão, Panasqueira, Fajã das Galinhas, Fontes, Garachico, Igreja, Marinheira, Pico e Salões, Quinta de S. António, Ribeira da Caixa, Ribeira Fernanda, Romeiras e Vargem.
A data de criação da freguesia e a origem da sua denominação não são consensuais entre os autores. Sabe-se que a criação da freguesia remonta ao século XVI. A obra “As Saudades da Terra” remete-nos para 1509, mas os historiadores sugerem uma data anterior, pela existência de um curato na capela de Nossa Senhora da Graça. É igualmente dúbio a origem do nome da freguesia, descartando-se a relação com a geomorfologia, sendo possível advir do significado “lugar com pequena área”.
A agricultura sempre foi a atividade predominante da freguesia, sendo cultivada uma série de produtos. No século XVI, com a crescente valorização do Vinho Madeira, a paisagem acidentada do Estreito começou a ser dominada por vinha, tornando-se o seu principal produto agrícola até a atualidade.
O Estreito de Câmara de Lobos está inserido numa das duas áreas vitivinícolas da ilha, na sua vertente Sul. Aqui é produzido o vinho de melhor qualidade, enquanto a costa Norte produz em maior quantidade. O trabalho dos produtores culmina em setembro devido às vindimas, o mês de muito trabalho e de celebração. Toda a comunidade está envolvida na apanha, transporte e tratamento das uvas, esforço celebrado e valorizado anualmente na Festa das Vindimas.
Devido a esta cultura, a paisagem do Estreito muda de cor ao longo do ano, de acordo com as diferentes fases do ciclo vegetativo da videira, algo impressionante de se contemplar.
Habitado desde o século XV, inicialmente as terras do Curral das Freiras pertenceram a João Gonçalves Zarco, primeiro capitão donatário do Funchal, que posteriormente doou as suas terras a João Ferreira e à sua mulher Branca Dias, em 1462. Este território era utilizado para a pastagem de gado, principalmente caprino, pressupondo-se que a origem da designação de Curral refere-se às características físicas favoráveis para a pastorícia.
Em 1480, esta vasta propriedade foi vendida ao segundo capitão donatário do Funchal, João Gonçalves da Câmara que, em 1492, entrega ao Convento de Santa Clara como dote das suas filhas Elvira e Joana que se juntaram ao convento como noviças. Assim, o Curral passou a dominar-se “Curral das Freiras”.
Com uma área administrativa de 25,07 km², partilha fronteiras com os concelhos da Ribeira Brava a Oeste, São Vicente e Santana a Norte, Funchal a Este e a Sul com as freguesias do Jardim da Serra e Estreito de Câmara de Lobos. Encontra-se subdividida nos seguintes sítios: Achada, Balseiros, Capela, Casas Próximas, Colmeal, Fajã dos Cardos, Fajã Escura, Lombo Chão, Murteira, Pico do Furão, Terra Chã e Seara Velha.
A sua paisagem montanhosa e o seu isolamento geográfico conferem ao Curral uma identidade cultural única, sendo conhecido pela sua comunidade resiliente empreendedora. O relevo acidentado e a secular ligação à pastorícia e à agricultura, levaram à criação de uma extensa rede de caminhos pedonais que, ao longo dos séculos, foram o garante da subsistência, das trocas comerciais e das relações sociais com os que estavam para além do maciço montanhoso central. Hoje, este património histórico constitui um enorme atrativo para os amantes da natureza, do pedestrianismo, dos desportos de ar livre e daqueles que pretendem chegar a pé a outros pontos da ilha.
A freguesia da Quinta Grande foi criada a 24 de julho de 1848 por carta régia, na sequência do desmembramento de alguns sítios das freguesias do Campanário e de Câmara de Lobos. Apesar desta freguesia ter alcançado a sua independência apenas no século XIX, a sua história remonta ao século XVI, aquando das terras da Quinta Grande ainda pertenciam a João Gonçalves Zarco.
Com uma área administrativa de 3,89 km², partilha fronteiras com a freguesia de Campanário a Oeste (concelho da Ribeira Brava), com a freguesia de Câmara de Lobos a Este e com a freguesia de Campanário (Fajã dos Padres) e o Oceano Atlântico a Sul. Encontra-se subdividida nos seguintes sítios: Aviceiro, Fontaínhas, Fontes, Igreja, Lombo, Quinta, Ribeira do Escrivão, Vera Cruz e Câmara do Bispo.
Até chegar à atual denominação, estas terras tiveram diversas designações, maioritariamente relacionadas com o seu proprietário. Em 1501 era conhecida por Quinta do Cabo Girão, seguindo-se as denominações de Quinta de Manuel de Noronha, Quinta de D. Maria de Ataíde, Quinta de Luís de Noronha, Quinta de Fernão de Noronha, Quinta dos Padres, Quinta da Companhia, sendo ainda cognominada em documentos oficiais de Quinta da Vera Cruz, e finalmente “Quinta Grande”. Numa alusão evidente à sua grandeza em termos da dimensão, a sua atual designação surgiu no final do século XVI, enquanto propriedade dos jesuítas.
A paisagem humanizada desta freguesia é resultado da atividade agrícola desenvolvida ao longo dos séculos. Inicialmente, a agricultura focava-se nas culturas de sequeiro, como o trigo, centeio e cevada, porque as nascentes e as linhas de águas eram insuficientes para culturas de rega mais exigentes. Paralelamente, nos terrenos com uma orografia mais acentuada, cultiva-se a vinha. No século XX, após a construção da Levada do Norte, a agricultura transitou para horticultura e fruticultura, sendo a freguesia reconhecida atualmente por esta produção.
A freguesia do Jardim da Serra foi criada a 5 de julho de 1996, a partir da desanexação da freguesia do Estreito de Câmara de Lobos. Sendo a mais recente freguesia da Região Autónoma da Madeira, é limitada a Sul e a Leste pelo Estreito de Câmara de Lobos, a Norte pelo Curral das Freiras e a Oeste pela freguesia de Campanário (concelho da Ribeira Brava). Com uma área de 7,36 km², a freguesia é constituída pelos seguintes sítios: Castelejo Fonte Frade Foro, Furneira, Pomar Novo, Jardim da Serra, Marco e Fonte da Pedra, Pomar do Meio.
Inicialmente conhecida por “Lugar da Serra”, a sua atual denominação advém da quinta construída por Henry Veitch, por volta de 1820. A quinta ficou afamada pelo seu jardim, onde o proprietário cultivou além de vinho, chá e outras plantas exóticas. Logo se associou o nome da quinta ao sítio onde está localizada e deu origem à “Quinta do Jardim da Serra”. O nome ficou assim associado a este local, originando o nome da freguesia.
A economia local é dominada pela agricultura, com especial foco na cultura da cereja. Introduzida na região pouco tempo após a colonização, a cerejeira encontrou na freguesia do Jardim da Serra o local ideal para se desenvolver. Sendo uma espécie que necessita de frio para a quebra de dormência, na costa sul da ilha encontra condições climáticas favoráveis acima dos 500 metros de altitude. Com o início da floração da espécie em março, as encostas da localidade são “pintadas” de branco, sendo a altura perfeita para explorar a freguesia.
Mais recentemente, o Jardim da Serra tornou-se uma referência na área da agricultura biológica regional. Para além de ter o primeiro bio-hotel da região, na Quinta Leonor são realizados trabalhos de investigação e de capacitação na área e de valorização e promoção das variedades regionais das diferentes culturas.
A freguesia de Câmara de Lobos é uma das mais antigas da ilha da Madeira, com origem na primeira metade do século XV, especificamente em 1430. Durante um reconhecimento da costa, os portugueses avistaram duas rochas delgadas que se projetavam para o mar, uma ao lado da outra, criando uma baía. Este local abrigava numerosos lobos-marinhos, e por isso, o capitão João Gonçalves Zarco nomeou o lugar de “Câmara de Lobos”.
Com uma área administrativa de 7,62 Km2, a freguesia é limitada a Este por São Martinho (concelho do Funchal), a Norte pelo Estreito de Câmara de Lobos, a Oeste pela Quinta Grande e a Sul pelo Oceano Atlântico. Encontra-se subdividida nos seguintes sítios: Caldeira, Caminho Grande e Preces, Caminho Grande e Ribeiro da Alforra, Cruz da Caldeira, Espírito Santo, Facho, Fajã, Garachico, Eras, Jesus Maria José, Lourencinha, Nogueira, Palmeira, Panasqueira, Pé-de-Pico, Pedregal, Quinta do Leme, Rancho, Ribeira da Caixa, Ribeiro de Alforra e Fonte Garcia, Ribeiro Real, Saraiva, Serrado da Adega, Serrado do Mar, Torre, Vila e Ilhéu.
A freguesia de Câmara de Lobos foi uma das primeiras a ser povoada, sendo a pesca e a agricultura as atividades de subsistência fundamentais. Atualmente, Câmara de Lobos é um dos principais centros piscatórios da Madeira, com um grande número de pescadores dedicando-se à prática. O papel desta atividade na comunidade local é tal, que originou alguns epítetos curiosos: pesquito, xavelha, charnota ou chernota e tangerino.
Para além da pesca, a qual se destaca pelas suas embarcações típicas - os xavelhas, a proximidade ao mar permitiu o desenvolvimento de outras atividades económicas, como é o caso da extração de sal marinho e a produção de cal que se realizavam no sítio da Trincheira, e mais recentemente as atividades marítimo-turísticas.
Nos últimos anos, esta freguesia tem ganhado a atenção dos que visitam a região, encantados com o seu centro urbano pitoresco, a paisagem envolvente e a gastronomia tradicional.